Entrevista com escritora Lara Orlow

Entrevista Jornalismo na Alma
Olá meus leitores!O Jornalismo na Alma traz entrevista com a autora Lara Orlow, que escreveu A saga de OrumAbaixo vocês podem conhecer um pouco mais sobre a escritora e também o livro.Vamos conferir?

P.s.: Pessoal quero aproveitar o espaço para dizer que vou ficar essa semana sem atualizar o blog porque estou estudando para umas provas. Assim que essas terminarem eu atualizo normalmente e respondo os comentários.

Sobre o livro
Orum está em perigo. Os orixás iniciarão uma guerra de proporções épicas, pois a pedra sagrada do príncipe Oxaguiã está desaparecida. O rei Olorun, buscando o conselho do oráculo Ifá, descobre que somente a antiga raça de guerreiros sagrados da Terra - descendentes dos orixás - será capaz de empreender essa missão. Orunmilá, o feiticeiro, faz uma magia ancestral, e traz para Orum os escolhidos por Ifá: Rick, Verônica e Duda. Três jovens comuns, que do dia para a noite, se veem com a responsabilidade de salvar o mundo. Os três jovens contarão com a ajuda de Lonan, o guardião, que com seu dragão alado os guiará durante toda a missão. Eles vivem muitas aventuras entre as lendas e os mitos africanos, até desvendarem que o verdadeiro culpado está mais próximo do que poderiam supor.


Jornalismo na Alma-Como  despertou o desejo de escrever livros?

Lara Orlow-Escrevo histórias desde que fui alfabetizada. Enquanto a professora pedia pequenas frases, eu já estava no meio de uma redação de uma página inteira. Alguns professores gostavam, incentivavam, valorizavam as imensas respostas e redações. Outros achavam um exagero e propunham uma determinada quantidade de linhas. Agora, escrever um livro inteiro pela primeira vez, foi aos dezesseis anos, um romance medieval "Vozes do Tempo", mas nunca foi publicado. Com o tempo a gente vai amadurecendo nossa escrita, é uma prática constante.

Jornalismo na Alma-Nos conte um pouco do universo de Orum. De onde tirou inspiração para criá-lo?

Lara Orlow-Orum faz parte da mitologia africana. É o reino dos orixás. É repleto de magia, transcende a nossa realidade. Seria quase como um mundo paralelo. A inspiração veio de diversas fontes diferentes. Nesse caso eu separei a mitologia da religião. Essa ideia surgiu depois que eu li Harry Potter e Percy Jackson (as coleções completas), e fiquei imaginando porque não tínhamos nenhum livro com heróis brasileiros, vivendo aventuras em meio à mitologia africana, afinal, essa é a nossa matriz cultural. Esse é um livro que pode ser lido por qualquer pessoa, independente de sua orientação religiosa, porque não fere a crença de ninguém, é apenas uma grande aventura, ladeada por um tremendo mistério, que tem como pano de fundo os mitos africanos. Além disso, nos Parâmetros Curriculares Nacionais de Educação, está contemplado o estudo da cultura africana. O que encontramos com esse tema, ou são livros didáticos, ou livros religiosos. Como educadora nunca encontrei um livro de aventuras com esse tema que pudesse aguçar a curiosidade, atrair a atenção de jovens ao mesmos tempo que instruía sobre os mitos e lendas. Dessa mistureba nasceu A Saga de Orum.

Jornalismo na Alma-A saga de Orum é composta por quantos livros?

Lara Orlow-Por enquanto será uma trilogia, mas algo em minha mente está fervilhando a ponto de nascer um quarto livro.

Jornalismo na Alma-Como surgiu a escolha do nome do livro?

Lara Orlow-A história se passa entre os dois mundos: Orum e Aiyé (como os orixás chamam a Terra). Mas todo o enredo começa em Orum, o mistério acontece lá, e pode destruir nosso mundo, percebi que seria uma saga enfim, então, ficou a Saga de Orum. Esse primeiro volume é Os Guerreiros Sagrados, porque conta justamente a história deles, e seu papel dentro da saga. Cada volume que comporá a saga inteira tem seu próprio nome.

Jornalismo na Alma-Vi que você tem outros livros publicados. Algum deles é seu xodó? Por quê?

Lara Orlow-Complicado responder isso, porque cada um é muito diferente do outro, então todos são meus preferidos sob aspectos diferentes. O mesmo que perguntar a uma mãe qual seu filho preferido. Até os que nunca foram publicados fazem parte dos meus preferidos. "Wlad, Os Prisioneiros do Destino" é um romance medieval, mas que acontece em um clã cigano, é uma história e tanto, cheia de magia, mistério e traições. "Os Caminhos de Lumia" é outro romance, mas dessa vez abordando a questão da diversidade de gêneros e de cultura, porque retrata uma história de amor entre uma cigana (que estava prometida em casamento) e uma gadji (não cigana), um Romeu e Julieta dos tempos modernos. Já "A Saga de Orum" é uma aventura ficcional, cheia de magia e mistério. Então são tão diferentes que acabam todos sendo meus preferidos.
ciganos

Jornalismo na Alma-Qual a maior dificuldade de escrever Literatura Fantástica?

Lara Orlow-Eu não chamaria de dificuldade, mas de desafio. O maior desafio é escrever com propriedade. O que é isso: é saber o que se está escrevendo e porque se está escrevendo. Estar bem embasado e compreender as questões antropológicas de mitos e lendas em geral (porque toda literatura fantástica é regada de mitos e lendas). No caso específico da mitologia africana, ela é repleta de diversidade. Cada tribo, ou nação africana, tem seus próprios mitos, eles vão se modificando aqui e ali, assumem novos aspectos e novas roupagens. Isso porque se trata de uma tradição oral. Então, separar os mitos, decidir qual linha de raciocínio seguir, pensar até que ponto vale a pena adaptar algum mito para que se encaixe no enredo de literatura fantástica, entre outras coisas do gênero. Outro desafio foi desvincular a mitologia da religião, com cuidado de não ferir a fé de quem segue as religiões de matriz africana, e ao mesmo tempo respeitar a crença de pessoas de outras denominações religiosas, que leiam o livro. Claro que a mitologia está ligada à religião. No caso de mitologias como a grega, a nórdica ou a romana, elas já estão desvinculadas de crenças religiosas, então fica um pouco mais fácil de se lidar. Não há fiéis que possam se constranger caso você fale dos defeitos de Zeus, ou quando cita-se uma Atena maltrapilha. É complicado agradar todo mundo, mas me esforcei bastante para alcançar esse objetivo.

Jornalismo na Alma-No livro conhecemos a Mitologia Africana. Nos conte um pouco sobre ela.

Lara Orlow-Como já disse é uma mitologia muito rica de diversidade. Por ser transmitida oralmente, ela vai se modificando, se alterando, em cada tribo ou nação, ela assume diferentes características, isso porque nasceu em tribos nômades. Ela tem uma cosmogênese, como todas as outras mitologias, possui suas deidades, que sempre tem características muito próximas das humanas. Têm paixões, medos e desejos. E possuem poderes sobrenaturais. Orum é o reino dos orixás, Olorum é seu rei, os demais orixás também são reis, em seus próprios reinos menores, que compõem Orum. Dentre centenas de orixás, posso destacar: Yansã, que é a senhora das tempestades; Oxóssi, o senhor da caça; Xangô, o rei das pedreiras e da justiça; e assim por diante. Todas essas deidades entrelaçam-se em relações de amor e ódio, criando o intrincado mundo da mitologia africana, que no final das contas é igual à quaisquer outras que já tenhamos tido contato.

Jornalismo na Alma-Sobre qual tema escreveria um outro livro?

Lara Orlow-Meu lema é diversidade literária. Gosto de inovar, buscar coisas nunca feitas por ninguém. Foi assim com o "Wlad" e com  "Lumia", está sendo assim com "A Saga de Orum". Tenho vontade de escrever alguma coisa dentro da mitologia celta. Tenho mergulhado fundo na Literatura Fantástica, e acredito que não mudarei o gênero literário tão cedo.

Jornalismo na Alma-Se pudesse ser uma personagem do seu livro qual seria? Por quê?

Lara Orlow-Essa respondo sem pensar duas vezes, com certeza eu seria Sofia, a mãe da Verônica (A Saga de Orum), porque ela é bióloga no Jardim Botânico de São Paulo, e para mim aquele lugar é um verdadeiro paraíso em meio a civilização. Tem muito de mim nessa personagem.

Jornalismo na Alma-Qual a maior dificuldade que enfrentou para publicar seus livros? Como  superou essa situação?

Lara Orlow-O mercado literário nacional é bastante complicado quando se está no início da carreira, e eu ainda estou nesse início na verdade. Mas nunca fiquei esperando alguém descobrir que meus textos existiam. Eu sempre referi a mim como uma "macaca de internet", pulando de site em site, divulgando, falando sobre meus livros, postando algo que eu tenha escrito. Já publiquei gratuitamente em blogs, só para meu nome ficar conhecido. Já criei e excluí blogs meus. Acho que o marketing é a alma do negócio. Foi isso que eu fiz, mostrei que meus textos existiam, para o maior número de pessoas possível. Claro que isso não é o suficiente para ser publicado. Eu dei muito a cara a tapa, ouvi muito mais "nãos" do que "sims", e isso foi amadurecendo minha escrita.

Jornalismo na Alma-Com sente-se com a receptividade das pessoas que leram suas obras?

Lara Orlow-O público brasileiro é muito afetuoso, acho que faz parte da nossa característica. Apesar de haver muito mais marketing para livros estrangeiros, os brasileiros estão cada vez mais valorizando seus autores nacionais. Então, independente do tema, sempre senti muito carinho e receptividade das pessoas que já leram minhas obras.

Jornalismo na Alma-Diga um autor preferido no Brasil? Por quê?

Lara Orlow-Tenho vários preferidos: André Vianco, Thalita Rebouças, Ruth Rocha, entre muitos outros.

Jornalismo na Alma-Diga um autor estrangeiro preferido? Por quê?

Lara Orlow-Anne Rice, porque embalou toda minha adolescência com seus vampiros maravilhosos.

Jornalismo na Alma-Qual a dica que você daria para futuros escritores?

Lara Orlow-Dica 1 - Não desista jamais. Dica 2 - Aceite críticas e faça alterações. Dica 3 - Tenha 1% de inspiração e 99% de transpiração. Dica 4 - Faça sempre uma boa apresentação dos seus projetos literários. Dica 5 - Nunca pare de ler e de estudar.

Jornalismo na Alma-Para encerrar gostaria de fazer um bate e volta com você.
Lara Orlow-
Uma pessoa: Meu pai.
Um desejo: Não deixar de ser eu mesma.
Um livro: Entrevista com o Vampiro.
Uma música: Like a Stone - Audioslave.
Uma comida: Todas.
Uma bebida: Água.
Uma frase: Nós somos aquilo que fazemos repetidamente. Excelência, portanto, não é uma ação, mas um hábito - Aristóteles.
Animal de estimação: Livres.
Filhos: Minha força de viver.
Dinheiro: Não compra felicidade, mas pode te levar para sofrer em Paris.  
Felicidade: Equilíbrio.
Fama: Um desafio.
Religião: O amor.
Blogueiros: Tudo de bom.
Falsidade: Uma arma de destruição em massa.

Sobre a autora
Antes de ser escritora, Lara é uma sedenta leitora de literatura fantástica. E justamente nessas viagens literárias, nasceu a ideia de desenvolver uma aventura baseada na mitologia africana, matriz de nosso enredo cultural brasileiro. A autora já publicou outros dois livros: “Wlad – Os Prisioneiros do Destino”, pelo Clube de Autores, um romance cigano que acontece na época medieval, com direito a muita magia, perseguição e aventura; e, “Os Caminhos de Lumia”, pela Editora Malagueta, um romance que aborda questões de gênero e diversidade cultural. Também publicou um conto em uma antologia no Peru, “Voces para Lilith”, sem distribuição no Brasil. Aluna concluinte de Artes Visuais, pela UnB, ela vive no interior de São Paulo, junto à sua família. Sua inquietude cigana trouxe diversas mudanças, lhe propiciando desenvolver atividades profissionais desde o trabalho em campo, com plantio de reflorestamento, até a área administrativa, com palestras na área de recursos humanos. Como professora já atuou na educação inclusiva, desenvolvendo atividades extracurriculares para alunos com deficiências. Atualmente é professora alfabetizadora no ensino fundamental.
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14 comentários:

  1. Acho que já comentei sobre esse livro, não sei se foi aqui, mas eu me interessei por ele mesmo sem ser meu tipo de literatura preferida. Gostei bastante da entrevista.

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    1. Oi Jessica, obrigada pelo comentário, e se um dia vc tiver a oportunidade de ler, espero que goste... Abraços!

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  2. Que bacana essa entrevista
    Não conhecia, mas amei e o livro parece ser realmente bom

    Beijos
    @pocketlibro
    http://pocketlibro.blogspot.com

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    1. Oi Alice... que bom, fico feliz, abraços!

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  4. Oi Paloma :)
    Não conhecia a autora e adorei a entrevista. Acho super bacana conhecer mais sobre o autor, suas inspirações para escrever, autores preferidos. Sua entrevista ficou show!
    Beijos
    http://www.coisasdemeninasarteiras.blogspot.com.br/

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    1. Oi Neyla, pois é, graças a oportunidades como essa que podemos divulgar nosso trabalho. Um super abraço!

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  5. Não conhecia esse livro, sempre com novidades ! :D
    Adorei

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    1. Oi Cih, escrever esse livro foi uma verdadeira aventura... rsrsrs... abraços!

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  6. Opa..um livro que tem mitologia africana, gostei de saber, ainda não conhecia.
    Gente ela também gosta do André Vianco....ele é tudo de bom, um dos melhores nacionais da atualidade.

    Beijos
    Leituras da Paty

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    1. Oi Paty... pois é, sou devoradora de livros baseados em mitologia, e senti muita falta de livros com a mitologia africana... daí resolvi o problema... hahahahaha... e sim, André Vianco é um dos melhores, se não for o melhor... até porque sou louca por vampiros... rs Abraços!!!

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  7. Adorei! Eu escrevo alguns textos, mas só por diversão! Eu tenho o sonho de um dia publicar um livro, quem sabe né? E concordo muito com ela que a escrita está sempre amadurecendo! Beijoss

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    1. Oi Giulia, persevere nos seus sonhos, porque a tendência é que eles se concretizem... mil bjs!!!!!!

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