Entrevista com escritor Andrei Simões

Olá meus leitores!O Monólogo de Julieta fez uma entrevista com o autor Andrei Simões que escreveu o livro Zon, publicado pela Editora Empíreo. Vamos conferir?

Zon – O rei do nada
Sobre o livro
Como seria reinar sobre absolutamente nada? 
Andrei Simões faz parceria com a ilustradora goiana Lupe Vasconcelos em livro de tirar o fôlego

Em Zon – O rei do nada, os leitores entrarão em contato com uma narrativa
profunda e intensa, na qual conhecerão um personagem que precisa invadir mentes e consciências para continuar vivendo. E ele só ficará totalmente satisfeito se, no fim, destruir as crenças daqueles que domina. Dessa forma, abre espaço para que ele mesmo seja o substituto e se torne a grande divindade do universo.

Porém, quando descobre que outras forças também trabalham em sua mente, Zon se vê preso num paradoxo, e já não tem certeza de que conseguirá dominar a realidade com tanta rapidez. Ao mesmo tempo em que constrói novas crenças, destrói sua própria existência.

Quem estaria por trás desse controle? Conseguirá Zon permanecer vivo e são?
Zon – O rei do nada é uma aventura fantástica onde verdade e mentira, realidade e ficção se misturam, fazendo com que até o mais calmo leitor estremeça diante das profundas descobertas. 




Monólogo de Julieta-Como iniciou a carreira como escritor? 
Andrei Simões-Comecei aos treze anos e por muitos anos escrevi sem mostrar a ninguém, apenas como exercício mental. Com o passar dos anos comecei a escrever em blogs, sites e diversos projetos pela internet, até publicar meu primeiro livro em papel.

Monólogo de Julieta-Escreve desde que idade?
Andrei Simões-Comecei aos treze, mas boa parte do ofício da escrita diz respeito à leitura. O escritor precisa ser um ávido leitor, então assim que aprendi a ler já me interessei por literatura.

Monólogo de Julieta-Zon é sua primeira publicação?
Andrei Simões-Não. Publiquei em papel pela primeira vez em 2005, um livro intitulado "Putrefação", pela editora Novo Século.

Monólogo de Julieta-Nos fale um pouco mais sobre seu livro.
Andrei Simões-Zon é sobre um homem normal, um professor de meia idade que em determinado momento percebe que não existe. Ele parte então em uma jornada que brinca com diversos estilos literários, para tentar encontrar um sentido para sua não-existência e nesta busca o leitor pode encontrar respostas e dúvidas para sua própria existência. Existe fantasia, terror, realismo fantástico e reflexões filosóficas, mas sempre com o elemento de entretenimento para nortear a obra.

Monólogo de Julieta-Como escolheu o título do livro?
Andrei Simões-Zon não significa nada, um personagem que não existe não poderia ter um nome com significados prévios. Há também outras referências a este nome, mas deixemos os leitores buscá-las. O subtítulo é uma brincadeira com a própria obra, já que este livro é um anti-épico. Um homem que sequer existe em uma grande jornada, buscando uma coroa para reinar sobre o nada.

Monólogo de Julieta-Como surgiu a ideia de fazer o livro em conjunto com a ilustradora Lupe?
Andrei Simões-Ideia do editor, daquele tipo de ideia que faz tudo ter sentido, já que pensei inicialmente no Zon como uma novela gráfica. E sem dúvida fez o livro alcançar todo o seu potencial. Sem as ilustrações da Lupe, este livro seria incompleto. (Veja Entrevista de Lupe Vasconcelos aqui no Monólogo de Julieta)

Monólogo de Julieta-Quanto tempo levou, aproximadamente,para escrever Zon?
Andrei Simões-A primeira versão do livro foi escrita em 2000, o personagem nasceu em 1995. Porém, não passei treze anos escrevendo o livro, mas uma vez por ano sempre retornava a ele e mudava algumas coisas. A maldição da relação entre obra e autor é que enquanto você não a publica, sente-se no direito de modificá-la e com o Zon, isso se tornou quase uma obsessão.

Monólogo de Julieta-Qual maior dificuldade que teve para escrever Zon?
Andrei Simões-Os conflitos que o personagem gerou em mim, quando ele se tornou maior que eu.

Monólogo de Julieta-Como busca inspiração para escrever?
Andrei Simões-Inspiração é desculpa de artista preguiçoso. Transpiração é mais importante. O ofício da escrita é como qualquer outro, você dedica tempo àquilo, exercita e consegue se aperfeiçoar. Mas eu diria que há em mim um combustível, que me faz encontrar tempo na corrida vida e este combustível é meu profundo inconformismo com o mundo que o homem criou para si e todas as outras criaturas.

Monólogo de Julieta-Qual a sensação que teve quando pegou em mãos seu primeiro livro?
Andrei Simões-Livro é sensorial. O cheiro, a textura da página, a opacidade da tinta preta, tudo isso me fascinou no Zon, principalmente por ser uma obra gráfica, com 33 ilustrações e 33 intervenções. A sensação é a de dever cumprido.

Monólogo de Julieta-Qual seu gênero literário favorito? Por quê?
Andrei Simões-Gêneros estão normalmente relacionados com nomes que a mídia dá a certos movimentos e estilos e dificilmente representam a complexidade das obras. Não tenho um gênero favorito, mas como técnica literária, o realismo fantástico é meu lar e dos meus ídolos.

Monólogo de Julieta-Com sente-se com a receptividade das pessoas que leram as  suas obras?
Andrei Simões-Surpreso, a receptividade normalmente é muito boa, sempre é mais do que espero.

Monólogo de Julieta-Diga um autor preferido no Brasil? Por quê?
Andrei Simões-Augusto dos Anjos. De um poder crítico singular e um gênio literário, além de completamente insano, artisticamente falando.

Monólogo de Julieta-Diga um autor estrangeiro preferido? Por quê?
Andrei Simões-Difícil escolher um. Sempre muito difícil. dos vivos, Alan Moore, gênio obscuro e muito à frente de qualquer coisa que se faz em literatura hoje em dia.

Monólogo de Julieta-Qual a dica que você daria para futuros escritores?
Andrei Simões-Trilhem seu próprio caminho, vocês só aprenderão com as dores das próprias feridas. E leiam muito.

Monólogo de Julieta-Como seria seu paraíso literário?
Andrei Simões-Um lugar onde eu pudesse conversar com meus ídolos mortos.

Monólogo de Julieta-Qual livro está na sua cabeceira? O que está achando dele?
Andrei Simões-Atualmente estou escrevendo um novo livro, nesta fase não leio, para não interferir em meu estilo.


Monólogo de Julieta-Para encerrar gostaria de fazer um bate e volta com você.
Andrei Simões-
Uma pessoa: Minha namorada.
Um desejo: Não desejar.
Um livro: A metamorfose.
Uma música: Slave New world, do Sepultura.
Uma comida: Qualquer comida paraense.
Uma bebida: Whisky.
Uma frase: Eu tenho uma mente dispersa. E não sou nada do que você pensa que sou. (Syd Barrett)
Animal de estimação: sou biólogo, meu amor é pela vida silvestre.
Filhos: Não.
Dinheiro: necessário.
Felicidade: pergunta estranha.
Fama: bobagem
Religião: bobagem
Blogueiros: às vezes, bobos, às vezes, muito úteis.
Falsidade: pergunta estranha.
Amor: sangue.
Poesia: um mal necessário.


È autor ou tem um blog e quer ser entrevistado pelo Monólogo de Julieta? Basta enviar um mensagem pela página Contato através do formulário. 

8 comentários:

  1. Gostei muito da entrevista.
    O autor é bastante dinâmico, inclusive achei bacana o fato dele não ler nada durante seu processo criativo para não interferir em seu estilo.

    http://memorias-de-leitura.blogspot.com

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  2. Já tinha ouvido falarem sobre o livro. E devo confessar que sinto certo interesse pelo mesmo. Gostei do papo com o autor, ele me pareceu gente boa.
    Até mais. http://realidadecaotica.blogspot.com.br/

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  3. este livro Zon é bem recomendado,muito blog e amigos sempre fala dele
    entrevista linda.

    Beijos
    http://pinagirlscris.tumblr.com

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  4. Adorei a entrevista, ficou muito boa! É sempre maravilhoso conhecer mais sobre os autores por trás das histórias incríveis

    xx Carol
    http://caverna-literaria.blogspot.com.br/

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  5. Zon foi resenhado lá no blog, mas não fui eu que li. Não faz muito o meu gênero literário. O autor me decepcionou um pouco com suas resposta principalmente a cerca de religião, se for uma bobagem, é uma bobagem necessária a nossa alma.

    Blog Prefácio

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  6. Paloma!
    Ótima entrevista.
    "Trilhem seu próprio caminho, vocês só aprenderão com as dores das próprias feridas. E leiam muito."
    cheirinhos
    Rudy

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  7. Gostei da entrevista e me identifiquei com algumas respostas do autor, como o fato de ele gostar de Augusto dos Anjos e de A Metamorfose. Fiquei curiosa a respeito do livro dele também, naturalmente.

    Thoughts-little-princess.blogspot.com

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