Entrevista com escritor Felipe Sali


Olá meus leitores!O Monólogo de Julieta traz entrevista com a autor Felipe Sali que escreveu ICK Perspectiva. Vamos conferir!

Sobre o livro
Influenciado pelo seu tio Otávio, Ick (apelido de Ícaro) cresceu cercado por livros e poesias. Do alto dos seus dezessete anos, ele encara o mundo de uma forma diferente dos outros rapazes da sua idade... Ick irá expor sua visão sobre amor, felicidade e responsabilidade enquanto passa por uma inesperada jornada de autodescobrimento. “Ick Perspectiva” é destinado a todos aqueles que são, ou ainda se lembram de como é ser jovem.
                                          

Monólogo de Julieta-Quem é Felipe Sali? Se apresente para os leitores!

Felipe Sali-Eu sou apenas um rapaz de 22 anos que escreve muita coisa e publica o que considera bom o suficiente. Sou jornalista. Já trabalhei com rádio e hoje atuo apenas em revistas. Mas uma boa parte do meu tempo e energia é investido para me tornar um escritor.
Escrevo para adolescentes, pois é um público com o qual me identifiquei e sinto que tenho coisas a passar para eles. 

Monólogo de Julieta-Nos conte um pouco sobre o universo de Ick Perspectiva. De onde tirou inspiração para criá-lo?

Felipe Sali-Eu queria criar uma história que retrata-se a minha adolescência, que ainda estava muito fresca na minha mente. Foi de lá que tirei inspiração para criar boa parte dos personagens e situações. Tudo na história tem o intuito de passar uma mensagem. 

Monólogo de Julieta-Quando começou a escrever? Qual a principal diferença que nota desde seu primeiro texto até agora?

Felipe Sali-Desde que aprendi a escrever, passei a criar histórias, literalmente. Posso dizer que sou um escritor em formação, então sinto uma diferença (felizmente boa) toda vez que escrevo. O meu primeiro texto era relativamente desleixado em alguns aspectos, eu prestava tanta atenção na história que esquecia que as palavras escolhidas para contá-la são influenciadores diretos na experiência de leitura. 
Sinto tanta diferença nos textos, que atualmente estou meio que reescrevendo Ick Perspectiva. Não estou mudando nada na historia, mas estou aperfeiçoando vários aspectos que considerei necessários. O prólogo, por exemplo, é completamente outro, agora. 
Já faz algum tempo que olho para os meus textos de uma forma mais crítica. 


Monólogo de Julieta-Como escolheu o nome do livro?
Foi difícil. Escolhi “Ick Perspectiva” porque a história realmente trata sobre a perspectiva do personagem principal sobre o mundo. 
Hoje, já decidi que se publicar o livro em algum lugar, o nome mudará para “O Mundo Segundo Ick”. Inclusive, é por isso que o nome da nossa fã Page é esse. Se você reparar, o significado é quase o mesmo, apenas soa de uma maneira melhor. 


Monólogo de Julieta-Você escreveu três finais para Ick, certo? Por que você resolveu mudar o final três vezes? Mudaria novamente?

Felipe Sali-Sim, é verdade. O primeiro final que escrevi era muito conservador. Apesar de feliz, percebi que esse não seria um final compatível com a jornada apresentada até então e nem com a personalidade dos personagens. O segundo final chegava bem mais perto disso, uma personagem chamada Jéssica morreria em trabalho de parto e serviria como uma espécie de epifania para os personagens. Mas ainda não era o correto para a história, a forma como acontecia não se encaixava com perfeição.
Já o terceiro final, é perfeito. Tudo se encaixa com o que eu propus para a história, não trocaria por nada. 


Monólogo de Julieta-Qual personagem do seu livro seria? Por quê?

Felipe Sali-Eu sou o Ick. 

Monólogo de Julieta-Sobre qual tema escreveria um outro livro?Por quê?

Felipe Sali-Eu já tenho dezenas de anotações sobre os temas que eu gostaria de escrever. Inclusive, já me acostumei com o fato de que não conseguirei escrever tudo o que quero em vida. 
Não posso falar muito sobre os temas, porque quero manter a surpresa das próximas publicações. 

Monólogo de Julieta-Com sente-se com a receptividade das pessoas que leram suas obras?

Felipe Sali-Essa é a melhor parte do trabalho. Apesar de serem poucos, eu tenho um grupo de leitores muito fiéis que estão sempre me ajudando e conversando sobre a história comigo.
Gosto quando descubro que houve identificação. Todos os dias recebo mensagens de pessoas que foram impactadas por Ick Perspectiva e isso me incentiva muito a continuar escrevendo. 

Monólogo de Julieta-De que forma as parcerias literárias com blogs/sites ajudam o escritor?

Felipe Sali-Ajudam muito! O leitor confia no blogueiro, pois ele é um tipo de comunicador mais autêntico e sincero. Eu não tenho dúvidas de que a forma como os blogs de literatura se comunicam com o leitor foi um dos grandes responsáveis pelos avanços que o mercado editorial para jovens sofreu nos últimos anos. 

Monólogo de Julieta-Diga um autor preferido no Brasil? Por quê?

Felipe Sali-A importância de Machado de Assis na nossa literatura é simplesmente inegável.  Um gênio sem limites. 

Monólogo de Julieta-Diga um autor estrangeiro preferido? Por quê?

Felipe Sali-Existe um autor Francês chamado Alexandre Dumas. Ele escreveu um dos livros que eu mais li na vida: O Conde de Monte Cristo. Mas se me pedir para destacar algum da nova geração, eu diria que John Green está fazendo coisas realmente interessantes, dentro da sua proposta.

Monólogo de Julieta-Qual a dica que você daria para futuros escritores?

Felipe Sali-Encontre algo que só você pode dizer. Escreva sobre coisas as quais você realmente pode acrescentar algo novo e treine muito. O dia em que você chegar a um resultado onde se tem certeza de que só você poderia ter feito dessa maneira, estará no caminho certo. 

Monólogo de Julieta-Para encerrar gostaria de fazer um bate e volta com você.

Felipe Sali-Uma pessoa: Minha mãe
Um desejo: Continuar escrevendo 
Um livro: Dom Casmurro
Uma música: Let it Be (Beatles)
Uma comida: Pizza
Uma bebida: Café
Uma frase: Isso também passará 
Animal de estimação: Bruce Wayne, o meu cachorro.
Filhos: Ainda não sei
Dinheiro: Necessário 
Felicidade: Indispensável 
Fama: Consequência 

Sobre o autor
Felipe Sali
Morador de Praia Grande, 22 anos de idade. 
Trabalha como editor da revista Top PG, já tendo atuado como jornalista da rádio Saudade FM. 
Um dos autores selecionados do projeto “O Livro do Fim do Mundo”. 

Contato

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7 comentários:

  1. Que legal!Gostei de conhecer...um dia vou aparecer aqui também, como escritora. :)

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  2. Parabéns pela entrevista, ficou muito legal. Ainda não conhecia o autor, mas fiquei interessada no livro por causa das respostas dele na entrevista hehe. Gosto muito de Alexandre Dumas também.

    Blog Prefácio

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  3. Olá, gostei muito da entrevista. Ainda não conhecia o autor nem o livor, fiquei curiosa para saber sobre esse final perfeito.

    petalasdeliberdade.blogspot.com

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  4. Adorei a entrevista. O Felipe parece ser bem maduro e centrado, além de bom escritor.

    Beijos.

    Jéssica
    Fashion Jacket - www.fashionjacket.com.br

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  5. parabéns pela parceria, desejo que seja tranquila, de alegria e com certeza é a consolidação de seu sucesso e trabalho esforçado!
    http://felicidadeemlivros.blogspot.com.br/

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  6. COMENTÁRIO DE MINGAU ÁCIDO SOBRE ICK PERSPECTIVA DE FELIPE SALI (Primeira Parte)
    Mingau Ácido (Marcelo Garbine)

    A possibilidade da manifestação de diversas vozes, apontando em direções que diferem entre si e articuladas em prosa, garantindo o som de autenticidade a uma visão circunstancial da vida, é indicativa de que o compromisso do romance é o de representar a verdade tal qual esta se apresenta a uma experiência individual. Assim, temos o movimento da obra que se concentrará na imagem do narrador do romance, Ick, que possui formas bastante complexas e desenvolvidas de trabalhar com a representação dos processos de percepção. Dessa forma, em sua construção a partir de processos de recordação intimamente ligados, muitas vezes, a figuras familiares, como o pai, tio e a mãe, Ick vai se desenvolvendo e se desenrolando a nossa vista, produzindo em nós, leitores, uma identificação que vai além do certo ou errado, no sentido de uma lógica racional, pois nos atinge da forma mais profunda, trazendo à tona sentimentos e emoções.

    Como o que aparece aos olhos do leitor é o ponto de vista do personagem, o romance faz com que a vivência triunfe sobre a ciência e até mesmo os aspectos físicos são modificados pela interioridade do personagem. Se sua alma está soturna, a ambiência se nos mostra soturna, se está alegre, se nos apresenta alegre. Na obra em questão podemos observar essa impregnação da ambiência pela disposição anímica da personagem em vários momentos. Destaco aqui o momento em que Ick observa o dia e a chuva, enquanto reflete sobre seu destino, no dia em que sua amada Samaris foi embora. A lembrança de Samaris influencia o modo como Ick vê a chuva: “Chovia muito, eu não ligava, (...) olhei para os lados à procura de Samaris (...). Era impossível distinguir no meu rosto o que eram gotas de chuva e o que eram lágrimas.” Assim, vemos na fala de Ick que ambiente e personagem se misturam, se completam e se intensificam. A dor de Ick transforma-se na chuva, transforma-se em chuva; transforma-se em lágrimas que chovem. “É como se o céu chorasse”, resume ele sobre a sua dor.

    A realidade no mundo ficcional é sempre passível de interpretação; consequentemente, haverá tantas realidades quantas interpretações houver. E as atitudes de Ick não fogem a essa regra. Por isso a importância da vivência para que se chegue a qualquer tipo de conhecimento. E é com grande beleza que mergulhamos na vivência do dia a dia de Ick. Só interpretamos aquilo que conhecemos; só conhecemos aquilo que vivemos; e não há como não se identificar com Ick, com a sua pureza e honra de caráter.

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  7. COMENTÁRIO DE MINGAU ÁCIDO SOBRE ICK PERSPECTIVA DE FELIPE SALI (Segunda Parte)
    Mingau Ácido (Marcelo Garbine)

    Entretanto vemos que Ick dá espaço para que os que estão a sua volta também apresentem sua realidade e seu ponto de vista. E é nesse jogo de vozes que surge a polifonia do romance. As vozes dos personagens, Ick, Jéssica, Samara, a mãe e o pai de Ick (Josué), o tio Otávio, e mesmo Lucas, não formam uma unidade unitária, mas, ao fornecerem diversas maneiras de enxergar o mundo, interagem na composição da obra de modo que o todo se relaciona com as partes em uma bela estrutura de composição. O jogo das vozes que compõem a narrativa forma um universo de multiperspectivas, de modo que não há fatos, apenas versões. Cada versão é uma nova história, uma nova realidade ficcional. Mas é através da visão de Ick que apreendemos a realidade dos demais personagens, que conhecemos a luta interna de cada um deles.

    O efeito criado por Felipe Sali faz com que o leitor perceba que a grandeza do ser humano encontra-se justamente em seu limite, pois é o limite que o torna distinto de todos os outros seres. Ick é único em sua agônica espera pela bela Samaris, Jéssica é única em sua aceitação e aprendizado desse novo universo que está se desvelando para ela e Samaris é única em sua dor e em seus medos da vida e do amor. Dessa forma, ao fundir a trajetória das três personagens com o processo de composição da obra, Sali mostra que o ato de narrar é também uma aventura em um labirinto, onde o caminho é construído à medida que se faz a caminhada, isto é, a narrativa se constrói à medida que se narra. Não há nenhuma forma de conhecimento prévio no espaço labiríntico criado por Sali. A experiência e a vivência é que conforma e organiza o espaço da narração (e da vida).
    Mingau Ácido (Marcelo Garbine) – http://mingauacido.com/

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